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Bridge no Mundo: as origens

O atual jogo do Bridge teve muitos ancestrais, o mais próximo dos quais o “whist” e uma base no “Plafond”. Porém, só adquiriu a sua expressão genérica atual, denominada o “Contrato”, após ser codificada a sua marcação por Pierre Albarran.

A prática dessa modalidade, embora jogada em partida livre, adquiriu então uma característica técnica que antes não tinha, minimizando o fator sorte. Assim, nasceu a ideia de uma competição pura em que o valor dos jogadores podia vencer a força do azar.

Organizaram-se então os primeiros torneios de Bridge, duplicado ou comparativo, em que as mesmas “mãos” eram jogadas por vários jogadores e em que o que contava era o melhor ou pior rendimento que cada jogador delas conseguisse tirar.

Cerca de 1930, quase simultaneamente nos Estados Unidos da América e em vários países da Europa Central, organizaram-se torneios em várias modalidades e tipos de contabilização de resultados, que rapidamente se transformaram em movimento generalizado,  e  já  em  1932  realizava-se,  sob  a   responsabilidade  da “International Bridge League”, o primeiro Campeonato da Europa em Scheveningen.

Após a II Guerra Mundial e reformada a antiga “Liga”, que passou a denominar-se “European Bridge League” só em 1948 se reeditou o Campeonato Europeu de Copenhagen, a que concorreram 11 Equipas “Open” e 7 “Ladies” e de então para cá não mais deixaram de se realizar, aumentando duma maneira geral o número de  países participantes. A partir de 1960, inclusive,  adaptou-se,  no entanto, uma nova fórmula que consistia em que, de 4 em 4 anos, em vez de se realizar o Campeonato da Europa de Equipas, se disputariam as chamadas “Olimpíadas do Bridge”. As dificuldades de organização cada vez mais complexa destes Campeonatos e o custo das deslocações das equipas levaram a “Liga” a espaçar os Campeonatos, unicamente de 2 em 2 anos.

A onda crescente de interesse por esta modalidade logo levou a pensar na necessidade de a organizar a vários níveis e assim foram nascendo Clubes, Associações e Federações Nacionais, em mais de 70 países de todo o mundo.

Em países de maior complexidade administrativa, como nos Estados Unidos e Brasil, apareceram até as Confederações e Ligas. A outros níveis geográficos, surgiram as Ligas ou Federações de Continentes, e aglutinando-se tudo na Federação Mundial de Bridge.

A atual Liga Europeia, que sucedeu à Liga Internacional, resume já hoje 24 países e a Federação Mundial 72 países, que representam mais de 1.000.000 de praticantes.

Por razões de maior proximidade geográfica alguns países do Norte de África e do Próximo Oriente fazem parte da Liga Europeia e tomam regularmente parte nos respetivos Campeonatos Europeus como membros de pleno direito. Estão neste caso o Líbano, Israel e a Turquia (só parcialmente europeia).

A Federação Mundial atribui unicamente os graus de “Mestre” (GRANDE MESTRE, MESTRE MUNDIAL e MESTRE INTERNACIONAL). Os países geralmente classificam os seus próprios jogadores segundo critérios próprios, que de uma forma geral incluem MESTRE NACIONAL, lª CATEGORIA, 2ª CATEGORIA (Por vezes com sub-categorias) e 3ª CATEGORIA.

A Introdução do Bridge em Portugal

O “movimento” de conquista dos direitos dos bridgistas portugueses iniciou-se em meados de 1960. O grupo de pioneiros do Bridge de Competição, enquanto organizava os primeiros torneios no Grémio Literário, no Círculo Eça de Queiroz, no Clube Tauromáquico e no Clube de Ténis de Monsanto, decidiu em princípios de 1961 criar uma Comissão Organizadora, que ficou constituída por Francisco de Mangualde (Presidente), Álvaro de Sousa Rego (Vice-Presidente), José Diogo Amado (Secretário), Luís Belmar da Costa (Tesoureiro) e ainda como vogais D. Maria da Glória Villas, Álvaro Costa, João de Castelo Branco e José Azevedo Campos. Elegeu-se ainda o Presidente do Congresso, Inácio Teixeira da Motta. A Comissão Organizadora não se poupou a esforços, angariando fundos, aliciando filiados, adquirindo material e elaborando o primeiro projecto de Estatutos da F.P.B.

Em 15 de Março de 1961 os Estatutos foram submetidos à aprovação do Ministério da Educação Nacional que, via Direcção-Geral dos Desportos, só em 8 de Setembro de 1962 deu notícia do despacho de indeferimento. Razão, o Bridge de Competição não era uma modalidade desportiva (o xadrez e a columbofilia, esses sim, eram). Entretanto havia-se realizado o primeiro Congresso em Julho de 1961, com a presença e a representação de 60 filiados individuais e 2 colectivos. Nesse Congresso foram eleitos os primeiros Corpos Gerentes da FPB (em organização) e  ratificou-se a sua filiação na Liga Europeia de Bridge e na Federação Mundial de Bridge.

Assim a primeira Direcção da FPB ficou constituída, sendo Presidente Manoel de Queiroz Pereira, e Vice-Presidentes Francisco Ressano Garcia, Inácio Rebello de Andrade e Augusto Supico. Mais tarde e por prerrogativa então estatutária nomearam Francisco Calheiros (Secretário), José Maria Avillez (Tesoureiro) e José Diogo Amado, Júlio de Moraes e José Maria Caetano (Vogais). O primeiro Presidente da Assembleia Geral foi Francisco Mangualde. O primeiro Conselho Fiscal e Jurisdicional, assim se chamava então, foi presidido por Fernando Taveira da Costa e tinha por Secretário-relator Ernesto Mexia de Almeida e por vogais Porfírio Assunção Moreira e José Maria Avillez. Por último, a primeira Comissão Técnica ficou constituída por Augusto Supico, Francisco Calheiros e José Maria Avillez.

A luta pelo reconhecimento legal não esmoreceu, sempre continuada por alguns “generais” da primeira hora, e ‘ por todos os que se lhe foram juntar, colmatando brechas e reforçando hostes. Tornar-se-ia fastidioso relatar  em  pormenor  todas  as  tentativas burocráticas,  pareceres  jurídicos, requerimentos,  exposições,  memórias, memoranduns,  estratégias, recomendações, jogos de influência, cunhas, audiências, entrevistas, rapa-pés, etc, etc, tudo recebido com muita compreensão, simpatia, promessas, fintas, palmadinhas nas costas. Mas os resultados eram sempre os mesmos: adiamento, indeferimento, endosses, impasses, jogos de empurra, isto é, NADA de positivo. E tudo porque o Bridge se jogava sobre pano verde.

Mudaram-se os panos para castanhos (cor da terra onde se praticavam desportos de ar livre, embora já nessa época o “Desporto-Rei” e outros utilizassem o relvado verde) e talvez por daltonismo nada se conseguiu. Renegou-se o verde e com ele quase a esperança.

Os “generais” que mais se distinguiram nestas “batalhas” foram Francisco Mangualde, José Luis Calheiros, Álvaro de Sousa Rego, Gabriel de Bianchi, Miguel Homem de Mello, Fernando de Vasconcelos Dias, Alfredo Nobre da Costa, Joaquim Matos Chaves,   António de Oliveira Santos, Francisco Calheiros, João Reis, Jorge Monteiro dos Santos.

Todos perderam as batalhas em que se aventuram, mas perder batalhas não é perder a guerra, e basta ganhar UMA. E essa foi-a pelo último dos “generais”, o Francisco de Sousa Tavares, que obteve o “Ofício de Aprovação”, finalmente em 4 de Maio de 1977.